(A)os caroneiros de plantão
Quem me conhece sabe que eu observo e julgo. Mas não é uma observação maldosa: tudo não passa de um pedantismo sócio-antropológico (!) em querer entender as pessoas e relacionamentos.
Pois bem. Fruto dessas minhas observações, saiu minha primeira teoria, furada ou não, chamada carona de prestígio.
O ser humano é social e quer pertencer a um grupo. Por mais alternativo e diferente que queira parecer (tema de um futuro post), o objetivo é estar dentro de um grupo. E isso é um fato. Por suas posses e/ou atitudes alguém conquistará seu espaço junto às pessoas com quem quer se relacionar.
Mas além de participar de um grupo, em alguns determinados momentos é necessário ser diferente, ser superior (isso quando não é essa a regra para participar do grupo). E aí entra o prestígio.
-Nesse final de semana fui naquele shoping high cost que acabou de ser aberto. Gastei horrores.
-Fui convidado para aquela festa. A lista estava super concorrida.
-Ah, você vai naquele restaurante super intimista? Eu também vou lá sempre!
Acontece que nem todos vivenciam essas experiências. Nem todos podem dizer isso de si mesmos. E esse é o momento de pegar a carona de prestígio. No prestígio do outros.
Repare. Aquele que não se garante por si só vai recorrer ao prestígio de um conhecido, ainda que distante, mas que deverá parecer para o interlocutor como alguém do círculo social corriqueiro. Nesse momento, o caroneiro conhece as pessoas mais influentes e, com isso, pode tudo.
Não, quem tem prestígio não é quem fala. Mas conhecer alguém é uma possibilidade de apoiar-se no prestígio de outras pessoas e pegar uma carona naquilo que não se pode ter.